quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Uma das minhas experiências no trabalho com crianças com necessidades especiais.
Uma das minhas experiências com crianças com necessidades especiais
Eu tive uma aluna, vamos chamá-la de N, que tinha um atraso mental muito grande. A N permaneceu comigo durante três anos consecutivos.
No primeiro ano, a N não fala nada comigo e com nenhum aluno da classe.
Quando eu perguntava se ela queria alguma coisa, ela sempre respondia balançando a cabeça, ou era sim ou não, me desculpe à expressão, parecia um burrinho de presépio.Aquilo me incomodava, pois até para ir ao banheiro eu precisava pedir para ela ir. Fui averiguar com os outros professores, da pré-escola, porque motivo ela era daquele jeito. A resposta foi a seguinte: Ela tinha a arcada dentária muito grande então ela tinha dificuldade para falar, e no primeiro dia de aula as crianças deram risada dela, isso fez com que ela se fechasse.
Fui conversando com ela, no início não obtinha resposta, brincava com ela, conversei com as outras crianças e eles também começaram a dar mais atenção para a N, que com o passar dos dias começou a conversar comigo e em seguida com os outros alunos.
A N não conhecia nenhuma letra do alfabeto, fiz um trabalho diário com o alfabeto, tomava leitura todos os dias dos alunos e sempre chamava a atenção da N para participar, foi difícil, mas com certo tempo ela aprendeu todas as letras do alfabeto. O próximo passo foi ensiná-la a escrever o seu nome. Nessa atividade pedia para todas as crianças escreverem seu nome, e trabalhava com a N individualmente, tive um sucesso ela aprendeu a escrever o seu nome.
Cada dia a N estava mais falante, eu tinha até que pedir às vezes para ela conversar menos. Com o passar do tempo fui trabalhando com ela de forma diferenciada, mas dando as mesmas atividades que dava para os outros alunos, só que com ela eu trabalhava de uma maneira mais simples. Ela já tinha aprendido algumas sílabas.
Quando N estava na terceira série, ainda minha aluna, o que mais me surpreendeu, foi quando eu fiz um curso para AEE e tinha uma atividade chamada: MEU AMIGO IMAGINÁRIO, e era necessária a participação dela, distribui uma folha de papel em branco e pedi que cada um desenhasse o seu amigo imaginário e que depois a classe iria escolher um dos amigos imaginários para continuarmos o nosso trabalho. A N ficou em silêncio e não sabia o que fazer, fui conversando com ela e perguntando se ela tinha algum amigo, o que ele gostava de fazer e pedi que desenhasse o seu amigo. N desenhou um menino andando de skate, descendo uma montanha, perguntei quem era ela disse: _ É meu amigo.
Como é seu nome: _Lucas, e assim por diante elaboramos um pequeno texto sobre esse amigo através das palavras dela. Na hora da escolha, tinha coisas muito bonitas, mas o texto que foi escolhido foi o da N. Ela ficou muito feliz.
Elaboramos várias atividades com esse amigo imaginário da N, pinturas, recortes, cartas, e a confecção de um boneco que era o seu amigo imaginário. Para o meu espanto a N confeccionou o seu boneco com a turma do seu grupo, tenho fotos de todo esse trabalho, que ficou uma gracinha.
Através disso a N se tornou uma criança muito alegre e vinha para a escola toda feliz e tinha mais interesse em participar das aulas.
No ano seguinte, tinha somente duas classes de quarta série, uma com muitos alunos “terríveis”, e a direção da escola não deixou que eu e minha amiga fizéssemos a escolha, a classes foram atribuídas, como minha amiga estava passando por um período difícil, ela ficou com a classe da N e eu com a outra classe.
Aí veio a minha decepção. Quando a N estava comigo ela até fazia poucas atividades, pois copiava todo da lousa, e na hora das atividades eu sempre sentava com ela e fazíamos as atividades juntas. Sempre eu perguntando as letras das sílabas, quando eram frases perguntava o que ela queria escrever, e nós seguíamos o nosso caminho, eu vi que a N fazia um monte de atividades mimeografadas e escrevia tudo certinho, fiquei espantada, apesar do seu avanço eu sabia que ela não sabia escrever corretamente, perguntei para ela como ela estava fazendo aquilo, e a N me disse que a professora escrevia as palavras e a N copiava..... Vi todo meu trabalho indo embora.
Falei com a professora que assim ela não iria aprender nada, a resposta foi a mais triste da minha vida.
Pesquisei: UN
terça-feira, 15 de outubro de 2013
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